quinta-feira, 16 de junho de 2011

De Motorhome pela Europa- em Gradara e San Marino

Ainda na Punta Sabbioni


20-05-2011

Não consegui dormir na noite passada, pois pernoitamos, num estacionamento em frente ao porto onde passava muitos caminhões, o barulho era infernal por toda a noite.

Passamos o dia inteiro na estrada com direção à Rimini, pegamos essa cidade como destino, pois era um dos mais famosos redutos italianos. Chegamos em Rimini ás 18 horas, estávamos exaustos e ainda enfrentamos um trânsito caótico. E para a nossa decepção Rimini não era tão bonita assim, era como qualquer cidade grande, então seguimos em direção a Gradara que é uma vila pequena muito bem falada nos guias turísticos.

Gradara, na Itália


Gradara

Gradara é linda, é um vilarejo encima das montanhas, um lugar aconchegante cercada por um castelo e vários restaurantes rústicos em ruas estreitas, tudo harmonioso! E para a minha sorte, ainda encontrei uma brasileira simpaticíssima pela cidade, e ficamos horas tagarelando sobre o lugar. A Puma, o codinome dela, ainda agraciou-me com suas dicas sobre a Itália e San Marino.



Rumo à San Marino....

21-05-2011



San Marino

No rádio Laura Pauzini sempre, essa foi a nossa trilha sonora por toda viagem nas estradas da Itália. Os italianos são realmente românticos, as rádios só tocam melodias românticas...amore,amore, amore... sem falar nos casais românticos por todas as cidades.

Nas rodovias, vimos muito pedintes e muitas prostitutas em pleno luz do dia. Jovens bonitas, mas também alguma mais velhas, teve uma até que abriu a blusa e mostrou os grandes seios obesos para gente, deixando uma grande interrogação na minha cabeça.

Passei o dia inteiro muito cansada, pois já estava 2 noites em claro. A noite passada, dormimos num estacionamento e ninguém avisou para a gente que havia uma danceteria ao lado. O Dj ficou a noite inteira tocando no meu ouvido, e o mais engraçado é que eram as mesmas músicas do meu MP3, do playlist que eu uso para correr...rsrsrsrs...piada, né?

Chegamos em San Marino, é um mini país muito organizado encima da montanha. Com elevadores desde o estacionamento que fica na rodovia que te leva até os pontos turisticos ou também você poderá usar um teleférico. Muito bonito, e ótimo para compras, pois os valores são bem menores que toda a Europa. Mas, como fui somente para turistar, nunca compro nada, pois nômade só tem direito de ter uma mala de 20kg.

Ficamos poucas horas em San Marino e logo pegamos a estrada novamente, no final da tarde paramos num caping na zona rural perto de Pisa, pois precisávamos de um lugar tranqüilo para dormir, pois já não estava agüentando mais dormir nas estradas e também precisávamos lavar nossas roupas. O camping era caro e sem muita infra-estrutura, mas não tínhamos muitas opções no momento.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

De Motorhome pela Europa- no pico mais alto da Áustria e Veneza


 
Grossglockner, o pico mais alto da Áustria (3,798 mts)

 Em Grossglockner, o pico mais alto da Áustria (3,798 mts)

18-05-2011


Saímos de Maria Alm nas primeiras horas da manhã, e fomos para uma rodovia chamada Grossglockner que na verdade faz parte de um parque nacional, é uma subida com lindas paisagens e direito a neve mesmo no verão. Ficamos o dia todo por lá, foi impressionante e muito frio...rsrsrs...

No final de tarde prosseguimos com destino à Italia. Estamos acampados numa cidade chamada Tarcento, na Itália, somente para passar a noite, prosseguiremos amanhã. Mas, confesso que eu estou muito cansada, sinto que estou participando de uma maratona. Amanhã seguiremos para Veneza.

Chegando na Itália, já podemos perceber a diferença na arquitetura é tudo mais disperso diferentemente da Áustria que as casas possuem arquitetura mais harmoniosa.

Ps. Os austríacos se vestem bem, são chiques e fashions, nunca vi tanta exposição de marcas famosas, e os italianos com seus carros pequenos e suas motocas por todo lado.

À caminho de Veneza

19-05-2011

Saímos de Tarcento hoje as 10:30. Tarcento é bonitinho, mas, é diferente das cidades da Áustria. Observei que existe um mix na população: muitos imigrantes árabes e latinos. Ma, nem deu para conhecer a cidade, pois não tínhamos muito tempo, e seguimos para Veneza.

Acampar em Veneza é impossível pela geografia e também por ser uma cidade altamente turística, portanto decidimos estacionar na Ponta de Sabione e de lá pegamos um barco turístico para Veneza, e a experiência foi incrível! O barco custou 9 Euros, e o passe em forma de cartão dava direito a ilimitada viagens pelo dia inteiro. O sentimento é que estávamos viajando num ônibus, pois o barco parava em vários pontos de Veneza, e a cidade é totalmente na água, os taxis são pequenas lanchas. Altamente romântica, fiquei fascinada! Veneza tem muitas faces durante a luz do sol; ao entardecer e a noite com suas gôndolas românticas embaladas por  músicas românticas italianas.

Veneza é mais bonita do que eu imaginava, poderia ficar meses e meses caminhando e apreciando seus prédios históricos , e nunca me cansaria. Veneza tem uma atmosfera mágica, é como se você pudesse voltar no tempo, muitos inspiradora!

Os italianos são lindos e chiques, vestem-se muito bem! também bastante hospitaleiros e falantes. Estou adorando a Itália!


Ps: sorry, depois coloco umas fotos de Veneza, estou sem acesso ao album no momento.


terça-feira, 14 de junho de 2011

De motorhome pela Europa- em Salzburgo, a cidade de Mozart!

16-05-2011


Entramos na Áustria, a paisagem é linda, montanhas ainda com vestígios de neve. Havia chalés aconchegantes no meio das colinas, mas ao chegar ao centro da cidade de Innsbruck não era o que a gente imaginava. É uma cidade como qualquer cidade grande, com muitos prédios e muita gente. Por isso, achamos melhor seguir para Salzburgo, a cidade de Mozart! Pegamos a estrada novamente, e logo escureceu e decidimos dormir em Übersee.

Übersee é uma cidade pequena, bem rural. Muito verde contornado por Alpes.Paramos num Stellplatze, numa fazenda, e fomos abençoados por uma tarde linda.



Local de nascimento de Mozart

17-05-2011

Chegamos em Salzburgo, ainda na Áustria, e deu o maior trabalho para estacionar o motorhome pois as ruas eram muito pequenas, mas conseguimos estacionar um pouco distante do centro histórico e caminharmos até lá. Salzburg é linda! Com ruas de pedras, muitos restaurantes e cafés. Encontramos vestígios de Mozart por todos os lugares: em lojas de chocolates, comerciais, anúncios de concertos, fotos dele por todo canto...

Fui ao museu de Mozart localizado na casa onde ele nasceu. Mas, confesso que fiquei um pouco decepcionado, paguei 7 euros e não tinha muito o que ver, 15 minutos já foi o bastante. Porém, deu para sentir a energia da época. No museu havia uma mecha de cabelo de Mozart com alguns fios brancos que estavam numa esfera de vidro. Também tinha um anel de Mozart, um violino pequenino simples e rústico, e um piano. O interessante é que todo material exposto no museu pertencente a Mozart ou a esposa era de tamanho pequeno, parecia tudo de brinquedo. Presumo que naquela época todos tinham pequena estatura, vi uma bolsa da esposa de Mozart que parecia uma bolsinha de uma menina de 5 anos, tudo muito peculiar .

Nas paredes alguns escritos com as passagens da vida de Mozart: as influências musicais dos pais de Mozart, a mudança para Veneza e a adoração por ela, e uma pintura à óleo expressando as últimas horas agonizantes no seu leito de morte. A causa da morte não foi clara, foi confusa na época, foi diagnosticada como conseqüência de uma forte febre.

Ficamos mais 2 horas explorando Salzburgo e seguimos para a Itália. O caminho, como sempre, é cercado de muitas montanhas e Alpes cobertos de neves. As imagens por todo caminho eram cinematográficas.

Dormimos em Maria Alm, é uma vilarejo no meios dos Alpes, com muitas estações de esquis. Um dos mais famosos e sofisticado ponto turísticos de inverno.

Maria Alm

sábado, 11 de junho de 2011

De motorhome pela Europa

Continuação...
De Feucht para Füssen, ainda na Alemanha


15/05/2011

Desde a entrada da Alemanha pude perceber as mudanças físicas. Diferentemente dos suecos, a maioria possui cabelo escuro contrastando com a pele clara. São mais vaidosos e gostam de ostentar luxo. As casas são aconchegantes e possuem telhados escuros. As cidades que passamos eram rústicas com ruas de pedras, lembrei muito de Campos do Jordão. Muitos cafés e pubs com suas cervejas enormes expostas nas mesas, pois alemão que é alemão aprecia cervejas e suculentas salsichas de vários tipos. Amei tudo na Alemanha!

Chegamos em Füssem; a cidade é linda, bucólica, com muitos cafés e restaurantes tipicamente alemães. Também vimos um castelo que parecia de conto de fadas, o Castelo Neuschwanstein. Inclusive, esse castelo serviu de inspiração para Disney.

O Castelo de Neuschwanstein

Em alemão é Schloss Neuschwanstein, castelo Novo Cisne de Pedra. É um palácio alemão construído na segunda metade do século XIX, perto das cidades de Hohenschewangau e Füssen, no sudoeste da Baviera.

Foi edificado por Luis II da Baviera. O rei tinha um refinado gosto artístico e usou como inspiração na arquitetura do castelo a obra musical do grande compositor Richard Wagner. Inclusive, o nome Neuschwanstein significa "novo cisne de pedra", uma referência ao "cavaleiro do Cisne", Lohengrin, da ópera com o mesmo nome.

Apesar da sua arquitetura medieval, o castelo foi construído com as melhores tecnologias da época. Usando acabamentos da tecnologia estrutural,engenhos a vapor e elétricos, ventilação moderna e canalizações de aquecimento.

Um rei declarado louco

Estou apaixonada pela história de Luis II. Li sua biografia, e constatei que a vida desse rei excêntrico é digna de um filme. A vida realmente imita a arte.

O rei desde jovem era um rebelde ligado a arte: ao teatro e operas e poesias. Um jovem bonito de uma intelectualidade refinada dos próprios amantes da arte. Era um eterno sonhador, que me fez lembrar o chapeleiro da Alice no país das maravilhas. Porém, o rei teve um fim trágico como todas as óperas que ele admirava. Ele foi considerado louco! Louco como o chapeleiro de Alice, louco por suas extravagâncias de ser ele mesmo, louco por causa dos seus sonhos. Sonhos de tentar trazer a arte aos seus súditos, sonhos de construir castelos de conto de fadas. Sofreu pressões do catolicismo aos seus desejos homossexuais, mas teve a coragem de ser sempre ele e desistiu de um casamento arrumado com uma mulher, pois o excêntrico não consegue viver de mentiras. E por tudo isso pagou caro, pagou com sua vida. E até parece que Richard Wagner, o famoso, compositor alemão fez um presságio na sua primeira visita ao rei, ele descreveu o rei:

"Ah, ele é tão bonito e inteligente, emotivo e encantador, que temo que sua vida derreta neste mundo vulgar como um sonho fugaz dos deuses."



A nossa passagem por Neuschwanstein...

O dia estava chuvoso com algumas horas ensolaradas. Fomos tentar subir o penhasco onde se encontra o castelo, mas logo desistimos por causa da chuva forte e voltamos para o motorhome ao aguardo de uma melhora no tempo. E por fim, o tempo só foi melhorar perto das 5 da tarde; infelizmente o castelo estava fechado, e nos restou somente a exploração pelas redondezas do castelo com direito a um friozinho e uma garoa que insistia em cair por toda nossa estada. A vista do castelo e das redondezas é maravilhosa. Fiquei um tempo numa ponte encima de uma cachoeira que corria até o castelo, e foi um dos lugares mais impressionantes que eu já vi na minha vida. Era como estar num filme de época, até poderia imaginar o rei Luis II caminhando pelo desfiladeiro e dissertando poesias.

A ponte que eu descrevi é chamada de Marienbrücke (Ponte de Maria) e fica sobre o desfiladeiro Pöllat, assim chamada em homenagem a Maria da Prússia. O lugar tinha uma energia boa, poderia ver todo o castelo e toda a extensão da cachoeira. Uma cachoeira de águas verde-claras que brotava de dentro de uma caverna, e que logo depois formava um tranqüilo lago cercado de uma grama verde e ornado por algumas casinhas no estilo alemão. O fascínio era tanto que entrei em transe por presenciar tamanha beleza, senti inspirações e vozes de personagens épicos. Poderia sentar ali mesmo e ficar por horas mergulhada nessa atmosfera.


Mais informações sobre Luis II:http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_II_da_Baviera
Mais sobre o  Castelo de Neuschwanstein:http://pt.wikipedia.org/wiki/Castelo_de_Neuschwanstein


Imagens:as paisagens são de minha autoria, Luis II do google imagens 

quinta-feira, 9 de junho de 2011

De Motorhome pela Europa


Pegamos emprestada a casa ambulante dos sogrinhos e fomos dar uma volta pela Alemanha, Áustria, Itália e França. A viagem durou 3 semanas, corremos bastante para ver todas as cidades, chegando a visitar 2 cidades por dia. Foi bastante cansativo, mas valeu muito a pena!

Acampamos nos bosques, vinícolas e ate no meio de algumas rodovias. Salvo algumas noites em claro que eu passei por causa do barulho das rodovias e uma gripe fortíssimas que me deixou de cama na última semana, a viagem foi fascinante! Mas, ficou um gostinho de quero mais, pois algumas cidades eram tão encantadoras com suas arquiteturas e histórias que eu poderia passar semanas só apreciando e recebendo a energia dos lugares.

Na impossibilidade de blogar durante a excursão, levei meu diário de cabeceira e descrevi os acontecimentos e impressões. Postarei um pouco dos meus relatos aqui no blog, acompanhado com um pouco da cultura e história dos principais lugares visitados. Espero que vocês gostem.

Abraços e segue o relato de cada dia...

A Partida

Da Suécia para a Alemanha
13/05/2011

Deixamos Glasholm, Suécia, as 10:30 da manhã; num dia lindo de sol, com um frio de 15 graus. Foram 4 horas de carro, com direito a uma parada para comer um cachorro quente numa loja de conveniência.

As 16:45 pegamos um barco em Treleborg, Suécia, com destino a Travemund, na Alemanha. Foram 8 horas de navio. O navio era desses de cargas, onde carros e caminhões fazem a travessia para a Alemanha. No barco, era eu e mais uma menina de mulheres; o resto dos passageiros eram todos homens, todos caminhoneiros alemães, vestidos com seus coletes de nylon apertando suas barrigas de chopes. O barco era simples, mas era confortável, fiquei apreciando um por do sol no final da tarde, entre um cochilo e outro da poltrona.

Chegamos meia noite no porto de Travemund, e como estava muito tarde para dirigir, resolvemos dormir no estacionamento do porto.

Na Alemanha...

Autobahn, sem limite de velocidade 

14/05/2011

Acordamos cedo e pegamos a estrada com destino a Füssen. Pegamos a rodovia mas famosa do mundo: a Autobahn, sem limite de velocidade. Presenciamos uma chuva de Ferrari e Posh. Cada carro mais lindo que o outro. Por falar em carros, os alemães são campeões no consumo de carros de luxos. Nunca vi tantos carros de luxo num só lugar. Segundo as minhas pesquisas, os alemães têm fixação por carros, a primeira coisa que eles almejam na vida é um carro de luxo. Ter um carro impressionante é primordial para todos. E os mesmos, não medem limites para a posse de um carro de luxo, que pode ser financiando em muitos anos.

Mas, a distância era maior que pensávamos até Füssen e tivemos que parar em Feucht. para dormir. Paramos em um stellplätz: lugar destinado a acomodação de motorhome, muito simples, como um estacionamento. Esse era no meio do campo, perto de fazendas, perto de lagos. Vimos vacas, e lindos cavalos que pareciam ter saídos de um conto de fadas, lindos!
Em Feucht, Alemanha



Continuação...

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Manual de sobrevivência na Índia- Parte XIII



Tudo que você precisa saber sobre a Índia e ninguém teve a coragem de te falar...

Continuação...



Ser criança na Índia...

Suicídio, pressão escolar, o cotidiano...

Como foi comentado no post anterior, o que pude observar é que as crianças indianas são cheias de obrigações. Alguns amiguinhos, do meu filho, tinham obrigações com várias atividades todos os dias. Aula na escola das 7 as 15:00, depois atividades extra curriculares: aula de pintura, de música, de matemática, artes marciais, reforço escolar,  críquete ou aula de tênis.... Sem falar nas lições de casa que eram bastante. Resumindo, tantas atividades, que a maioria não tem tempo de ser apenas criança. Não tem muito tempo para brincar.


Por outro lado, quando crescem, levam a criança dentro de si, enchendo os parques de diversões e play ground. É até irônico você chegar numa área de playkids- área infantil de jogos no shopping- e ver lotada de adolescentes e adultos. E a pergunta que paira no ar: onde estão as crianças? Estão estudando...estudando..estudando...
Não é a toa que os indianos se destacam no campo das ciências e da matemática, alguns são considerados os melhores do mundo. Ser o melhor em tudo é o grande ideal de todos, desde pequeno.

Mas, atrás disso encontra-se um lado negro que é o alto índice de suicídio.O suicídio é uma das três principais causas de morte entre as pessoas de 15 a 35. Também há um entendimento geral entre psicólogos e professores de que a principal razão para o alto número de mortes de adolescentes é a crescente pressão sobre as crianças para que se saiam bem nos exames escolares.

Algo que pude observar também através dos amigos do meu filho, é que existem  formas  de auto punição, uma tipo de auto-flagelação. Se eles fazem algo errado, eles mesmos fazem algo para se castigar. Como por exemplo: um dia um amiguinho do meu filho, no calor de uma brincadeira, acidentalmente jogou a bola no rosto do meu filho, e logo após disso ele foi para o canto e ficou de cócoras, cabisbaixo, puxando as pontas das orelhas. E o Erik ( meu filho) sem entender nada, foi até ele e falou que estava tudo bem e para ele não ficar triste. Mas, mesmo assim, ele continuou na mesma posição, até que meu marido entrou no quarto e  pediu docemente para que ele saísse do castigo, e que não precisava de tudo isso e que acidentes acontecem.
Se o leitor quiser saber mais sobre pressão escolar e suícidio, leia essa reportagem da BBC:

Ocorrência diária
Inexplicavelmente, os suicídios de adolescentes se tornaram quase uma ocorrência diária no Estado de Maharashtra – um dos mais desenvolvidos do país – e em sua capital, Mumbai.
O total de suicídios de adolescentes desde o começo do ano até o dia 26 de janeiro já era de 32, numa média de mais de um por dia.
Apesar de não haver nenhum dado do mesmo período em 2009 para comparação, há um consenso entre as autoridades preocupadas de Mumbai de que os suicídios de adolescentes estejam saindo de controle.
Também há um entendimento geral entre psicólogos e professores de que a principal razão para o alto número de mortes de adolescentes é a crescente pressão sobre as crianças para que se saiam bem nos exames escolares.
Mais de 100 mil pessoas cometem suicídio todos os anos na Índia, e três pessoas por dia tiram suas próprias vidas em Mumbai.
O suicídio é uma das três principais causas de morte entre as pessoas de 15 a 35 anos e tem um impacto psicológico, social e financeiro devastador sobre as famílias e os amigos.
Campanha
Pressão acadêmica sobre os estudantes é vista como possível causa
A diretora-geral assistente da Organização Mundial da Saúde (OMS), Catherine Le Gals-Camus, observa que mais gente morre por conta de suicídio em todo o mundo do que por todos os homicídios e guerras combinadas.
“Há uma necessidade urgente de uma ação global coordenada e intensificada para prevenir essas mortes desnecessárias. Para cada morte por suicídio há um grande número de familiares e amigos cujas vidas são devastadas emocionalmente, socialmente e economicamente”, diz ela.
Em Mumbai, as autoridades estão tão alarmadas com o tamanho do problema que começaram uma campanha, com o slogan “A Vida é Bela”, visando ajudar os estudantes a lidar com a pressão acadêmica.
Psicólogos visitam escolas públicas em Mumbai uma vez por semana para treinar professores que lidam com problemas dos estudantes.
Reuniões
A escola Sharadashram Vidyamandir conta com vários ex-alunos ilustres no país, como os ex-jogadores de críquete da seleção indiana Sachin Tendulkar e Vinod Kambli.
A escola vem promovendo reuniões de pais e mestres nas quais os pais podem receber dicas de como combater as pressões que as crianças enfrentam.
Apesar disso, as sessões não preveniram a morte de Shushant Patil, de 12 anos. Ele foi encontrado enforcado num banheiro da escola no dia 5 de janeiro.
Mangala Kulkarni é diretora da ala feminina da escola. Ela diz que as famílias precisam adotar uma postura mais ativa quando se trata de evitar que os estudantes se sintam estressados.
“As crianças não percebem que elas têm mais caminhos do que apenas o sucesso acadêmico. Elas precisam ser levadas a perceber isso por suas famílias desde a infância”, diz.
Um serviço telefônico de ajuda em Mumbai, chamado Aasra, vem operando há vários anos para tentar combater o problema.
O diretor do serviço, Johnson Thomas, diz que os problemas que as crianças enfrentam hoje têm várias facetas.
“Elas enfrentam pressão dos colegas, têm problemas de comunicação com seus pais, relacionamentos desfeitos, pressão acadêmica e medo do fracasso”, afirma.
O Ministério do Interior estima que para cada suicídio de adolescente em Mumbai há 13 tentativas.
Esta reportagem na íntegra:BBC

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Manual de sobrevivência na Índia- Parte XII

Tudo que você precisa saber sobre a Índia e ninguém teve a coragem de te falar...

Continuação...



Seus filhos na Índia...

Estudante indiano

Disciplina, hora da atividade física



Escola, metodologia educacional indiana, agressões físicas na escola...

Aconteceu comigo...

Esse é um dos temas mais importantes desse guia. Gente, por experiência própria, não foi ninguém que me falou, eu vivi isso, e te dou toda certeza do mundo que isso aconteceu.
 Para quem me conhece melhor, sabe que eu tenho um filho de 7 anos, mas na época que chegamos na índia, ele tinha 6 anos, o nome dele é Erik. O Erik nasceu na Suécia, morou na Indonésia ,na Malásia e no Brasil; e já rodou o mundo desde pequeno, e sempre foi uma criança muito questionadora e não engole qualquer sapo, sempre foi de questionar as ordens recebidas. Aos 2  e 3 anos ele falava inglês fluente por influência dos amiguinhos e da nossa empregada da Malásia e Indonésia., mas quando mudamos para o Brasil ele logo esqueceu o inglês e começou a falar só português.É uma criança extrovertida, faz amizade fácil e é muito alegre. Sempre foi bom aluno, e amava a escola no Brasil. Saímos do Brasil no ano passado quando ele estava iniciando a primeira série, estava começando a ler quando mudamos para a Índia.

Meu marido veio primeiro à Índia para arrumar moradia e também ir adiantando as coisas, eu e o Erik  viemos 2 meses mais tarde. E por sorte assim que meu marido chegou em Mumbai  ele encontrou uma família brasileira numa loja em um shopping,  e eles por coincidência também tinham uma filha com a mesma idade do Erik. Resolvemos colocar o erik na mesma escola da filha deles. Essa família já estava morando a quase 6 meses aqui, e eles me avisaram que, outros brasileiros  tinham falado para eles que, aqui é normal os professores  baterem nos alunos. Mas, que poderíamos tentar evitar que isso ocorresse, era só conversar com a diretora  e explicar  que a nossa cultura é diferente, não se pode bater em crianças, e que não queríamos que isso acontecesse.

  Durante as primeiras semanas, o Erik só reclamava que as professoras e as ajudantes gritavam demais e arregalavam os olhos para repreender os alunos.
E um belo dia o Erik chega da escola chorando muito,  e falando que não queria ir mais para a escola. O abracei e pedi que ele me contasse o que aconteceu. Ele falou que uma das professoras tinha batido nele, perguntei onde ela tinha batido. Ele falou que ela tinha batido no rosto. Eu fiquei logo em pânico, pois por pior ato que o Erik faça nunca encostamos o dedo nele, na pior das vezes repreendemos colocando-o no canto. Pedi para ele contar toda história. Ele contou que estava  brincando de pega-pega no pátio, na hora do recreio,  com a amiguinha brasileira. E que de repente essa professora apareceu e gritou com os dois, e em seguida deu um tapa no rosto dele.

 Quando ele terminou de contar a história, subiu um calor no meu rosto e falei comigo mesma - Quem essa professora pensa que é  para bater no meu filho?- Liguei para a  mãe da coleguinha brasileira do Erik, nessa altura tínhamos ficados amigas. E ela me contou que a filha dela tinha comentado o fato, mas que não foi a professora que bateu, foi a diretora. Logo em seguida falei com meu marido, e ligamos para a escola. Eu fiquei em fúria. Falei com a diretora e ela confirmou que fez isso mesmo,mas que foi somente um “tap”. Tap, uma palavra em inglês que até hoje não entendi qual é o significado aqui na Índia. Para nós brasileiros seria como tapa. Resumindo, a diretora falou que fez isso porque ele estava correndo no chão molhado, e que “tap”  não é bater. Eu, que sou uma mãe leoa, nada muito calminha com quem mexe com as minhas crias, falei um monte para ela. Falei que era um absurdo, que se fosse no meu país ela estaria presa, que isso é considerado um crime contra um incapaz ....  ela pediu perdão e falou que isso não iria mais acontecer, e que por gentileza a gente desse mais uma chance.

O Erik ficou alguns dias em casa, sem escola. E meu marido, que tem mais sangue de barata que eu, pediu que eu reconsiderasse e perdoasse a falta da diretora e desse mais uma chance. E também levasse em consideração que não havia muitas escolas  na redondeza.
Na semana seguinte, reconsiderei o pedido de dar mais uma chance para a escola. Conversei com o Erik, e prometi que isso não iria mais acontecer, e que foi um erro. E ele  com carinha de medo perguntou para mim o que eu faria se isso acontecesse de novo. Falei que eu o amava muito , e que ninguém poderia bater nele,  de nenhuma forma e em hipótese nenhuma. E se acontecesse eu o tiraria de vez da escola.

Não demorou uma semana depois do acontecido, tentaram bater nele novamente, só que não na escola, tentaram batê-lo no rosto, dentro do ônibus escolar. Quem tentou bater foi uma moça que cuida das crianças durante o translado. A moça levantou a mão para bater no rosto dele e ele se esquivou para trás, e o tapa foi ao ar.

Depois deste acontecimento, tiramos o Erik da escola. Então, começou a nossa via crucis, o Erik  ficou traumatizado de ir a escola, chorava toda vez que eu falava para ele que tinha que ir. Fomos em outras escolas internacionais, os preços eram altíssimos, fora das nossas possibilidades. Até que uma colega nossa  indiana, sugeriu que contratássemos uma professora particular para ensinar o básico para ele. Contratamos, ela dava aula para o Erik todos os dias pela manhã. Logo, na primeira semana, falei o que tinha acontecido na escola do Erik. E avisei para ela, que não admitia que ninguém batesse no meu filho, que não era para ela tocar no Erik, em hipótese nenhuma. Mas, logo na segunda semana, o Erik entra no meu quarto chorando que a professora tinha dado um tapa na nuca dele e consequentemente bateu o queixo na mesa. Fui falar com a professora, e ela alegou que isso não era nada, que essa é a forma que as professoras mantêm a atenção dos alunos.

Resumindo: várias tentativas frustradas, eu já estava uma pilha de nervos. Pois, suporto bem: todas as mudanças, processos de adaptações... mas ver o filho  sofrer, para mim ,foi demais!
Conversei com alguns vizinhos, com alguns colegas de trabalho do marido. E todos achavam esse acontecimento muito engraçado, não entendiam a causa de tanta revolta nossa. Alguns falaram que as professoras têm como obrigação manterem a ordem a troco de pancadas na sala. Se o leitor quiser se aprofundar no tema, pesquise na internet, mas em inglês. Você verá casos brutais de professoras contra alunos, alguns artigos descrevem torturas..etc...

O que pude observar, é  que o sistema educacional indiano é arcaico. Não se usa de diálogos ou metodologia  psicológica. Sim, gritos, pancadaria e ditadura... as crianças fazem e não sabem o porquê estão fazendo. São pressionadas para serem as melhores sempre! O sistema educacional não tem respeito pelas características particulares do desenvolvimento emocional de cada criança. Criança, não tem direitos, e sim obrigações. Com 6 anos, elas devem saber a ler e escrever corretamente, e também deve ter noções de matemática. Meu filho era considerado um atrasado. Pois, crianças indiana, desde  quando nasce já é direcionada a ser o melhor! A ser o orgulho dos pais! Os primeiros presentes são jogos educativos, e levam consigo uma  carga enorme de obrigações, não é por nada que alguns sofrem de depressão e recorrem ao suicídio na adolescência. Pois, tirar notas baixas significa vergonha para toda família.

Vencidos pelo cansaço, já tínhamos desistido em encontrar uma escola para o Erik. Até , que, o um colega estrangeiro do trabalho do meu marido, sugeriu uma escola internacional que  a filha dele estava estudando. Fomos nessa escola e explicamos a situação, e o diretor nos garantiu que a metodologia deles era diferente. Pois, eles tinham essa ideologia e o selo Educacional da Cambridge, e tinha que seguir a mesma forma européia educacional.  E se eles  não seguissem o padrão, poderiam perder  o selo e o direito de ensinar. Então, vimos que lá parecia mais sério. O Erik começou a escola, e claro que alguns funcionários tentaram bater no Erik. Mas, avisamos para a direção, e eles foram advertidos, e nunca mais aconteceu nenhuma agressão.

Portanto, se você quer colocar seu filho numa escola na Índia, veja se a escola tem  alguns selos educacionais de metodologia ocidental. E também explique para a direção da escola que nossa cultura é diferente, que não admitimos agressão de nenhuma forma, e mesmo assim fique bem atenta e questione seu filho sobre a escola todos os dias.


Imagens: google imagens